sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu podia começar por dizer que odeio pessoas felizes, mas isso já é um cliché porque agora toda a gente diz que odeia pessoas felizes. Menos quando eles próprios estão felizes. Aí, já adoram pessoas felizes e corações e borboletas e prados verdejantes. But not me. Eu, quando ando assim contente da vida, gosto ainda menos das pessoas felizes. Começo a enojar-me comigo, até. É que há qualquer coisa de estranho em acordarmos de manhã com vontade de sair da cama, em andarmos sempre com um sorriso na cara. Especialmente quando há tanta merda. Não vou dar uma de moralista e «Ai que tenho que pensar nos outros e tantas pessoas desgraçadas que para aí há.». Caguei, não podia cagar mais de alto para isto. A cena é que me lembro que a graaaande maioria dos meus dias não são passados de sorriso nas trombas. Assim uma coisa de 98%. A bem ver, não costumo sorrir com o meu contentamento, não sei porquê, não tenho traumas de infância e merdas dessas, mas há sempre qualquer coisa, qualquer alarme que dispara quando me sinto assim... a fugir para o contentinha. Se calhar é só porque não estou habituada. Às vezes, sinto-me estúpida por andar mais leve.
Mas pronto, a verdade é que odeio pessoas felizes. Porque se esquecem de quando não estavam. E isso irrita-me sobremaneira; que achem que agora é que é, que vão morrer com aquele sorriso estúpido na cara. Isto e a tendência que a maior parte de vocês tem para se esquecer de quando esteve na merda e a facilidade em dar tudo e mais alguma coisa. Isso, para mim, só tem um nome. E não é azar, não é fé nos outros, não é uma virtude, caralho. É estupidez. A forma como, de repente, entram para um grupo de elite em que nada de mal pode acontecer, que se sentem capazes de fazer tudo e mais alguma coisa. Makes me sick que essa sensação de tudo poder advenha de outra pessoa que não a própria, blerc. E vocês sabem, bebés, que quando uma pessoa diz isto mesmo não é porque não quer a vossa felicidade, quero eu cá saber se andam felizes ou a arrastar-se pelos cantos. Fode-me é que depois venham para aqui lamentar-se que não percebem como é que aconteceu, que não estão destinados a ser felizes, que há sempre qualquer coisa e que desgraçado que eu sou. Eu tenho razão nisto, calem-se as vozes dos contentes. I know it and you know it. Eu tenho razão nisto, aliás como em quase tudo o que digo.
A sério, já não faço fretes, caralhos vos fodam. Apaixonem-se, divirtam-se, esmerdem-se, atirem-se sem olhar para baixo, arrisquem tudo, fazem bem. Mas depois não se queixem que já não há cu que aguente. Não é preciso ser um génio para somar 2 e 2 e saber que, se dão tudo, ficam sem nada. 'tários.