(Ao telefone.)
Eu: «Aaaaai 'tou-me a passar com o estudo, 'tou que não me aguento, vou morrer, vou morrer a estudar e vai ser disto que me vou lembrar nos meus últimos momentos de vida. É assim que vocês me vão recordar quando foram ao meu funeral: psicótica e a estudar a toda a hora. E depois esquecem-me em menos de nada.»
G.: «Hmm... Café?»
Eu: «NÃO, não é? Não tenho vida já, nem ao café posso ir. Isso, esfrega-me na cara que já podes ir ao café, ai olhem p'ra mim que já não tenho exames, olhem que feliz que eu sou que até já tenho vida. Seu... merdas!»
G.: «Otária. Queres ir a algum lado? Só p'ra apanhar ar e fumar um cigarro?»
Eu: «Não. 'Bora gozar com a novela dos vampiros que está a dar na 3.»
G.: «Está bem, deixa ver. (...) Foda-se q'ésta merda? Onde é que há professoras tão boas?»
Eu: «Sim, G., é isso que, no meio da novela toda, é o mais irreal. Espera, daqui a pouco aparece um dos vampiros.»
E estivemos nisto uma horinha, mais coisa menos coisa. A ver a novela dos vampiros ao telefone.
(No fim.)
G.: «Oh Inês, espera, não mudes, ainda não acabou.»
Está percebido? Amizade é estares com a namorada e falares uma hora ao telefone sobre absoluta e rigorosamente nada porque a tua amiga está prestes a enfiar a cabeça no forno com uma caixa de Xanax no bucho.