sexta-feira, 10 de setembro de 2010

7 de Agosto de 2008. Até ver, o pior dia da minha vida. Mas foi pior para os teus pais. Dor. Agonizante. «Foda-se, que brincadeira estúpida.». Sabes, eu não sabia que era possível doer-nos o corpo sem termos nada visível estragado. Ensinaste-me isso e obrigada. Sabes, depois disso, nunca mais nada doeu tanto. Nunca mais nada me tirou a respiração. Fiquei dormente, sabes? É triste que, no final, tenhas sido tu (e logo tu, não é?) a fazeres-me isto. Damn! Que dia mau... Passado este tempo, continuo sem saber expressar muito bem a coisa. E eu sei, os filmes dizem que sim, que esqueces, que dói menos, que te habituas. Pois... Eu continuo à espera do dia em que não me lembrar de ti. Como eu queria não me lembrar de ti... Como eu queria nunca te ter conhecido. Levaste-me a um sítio onde eu nunca tinha estado, que eu não sabia que existia. E depois, não estiveste lá comigo. Obrigada por nada.
Mas, sabes, a minha mãe disse-me que só pode acontecer uma coisa realmente má por vida. E quando passei dias a fazer uma lista de coisas que tu fazias e que me irritavam solenemente para, assim, não sentir tanto a tua falta? Para me provar que não me fazias grande falta, afinal eras uma pessoa cheia de hábitos nojentos e irritantes. Não eras grande espingarda, eu sabia. No final, reduzi a lista a «Cheiras tão mal dos pés!». Não chegou. Percebi que preferia a vida a cheirar os teus ténis a perder-te. E isto é que é amizade. Ou era. Agora é só dor. Obrigada por nada.