sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Girls will be bitches

«Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades» sempre ouvi dizer sem, contudo, perceber muito bem o que queria dizer. Ontem, descobri que não é preciso uma zanga, somente uma ida ao Bairro Alto regada com bebidas da treta para se saber do que realmente interessa. E é vê-las desbobinar que só elas. Adoro. Até a mira se voltar para mim. Aí, já não tem piada e acabou-a-conversa-que-daqui-a-pouco-há-pancadaria.
Eu sei que as raparigas falam mal umas das outras. Eu falo mal de toda a gente, indiscriminadamente. Não ligo a géneros, idades ou credos. Tudo tem material para se falar mal (mal, nunca bem). Mas faz-me impressão que elas só digam quando aqui a própria não se encontra. Faz-me ainda mais impressão que depois sejam muito fofinhas (mas aqui, eu já aprendi a desconfiar. Ninguém é fofinho 24/7.). Mas o que me faz meeeesmo impressão é que acreditem que nunca, jamais em tempo algum, me vai chegar aos ouvidos. Porque toda a gente sabe que quando dizemos «Ouve, se tu lhe contas isto, estou fodida. A sério, estou a contar-te só a ti, hm?», de imediato, entra em acção um qualquer poder que impede que a conversa saia daqueles quatro ouvidinhos. Eu, pelo menos, tenho o discernimento de perceber que, quando digo mal das pessoas, mais cedo ou mais tarde, elas vão saber o que eu disse, seja por mim ou não (e é provável que não seja, porque também não sou parva, não é?). Então não sou fofinha para as pessoas que estive a arrasar há três dias,. Não sou toda eu sorrisos nem prestável e amorosa. E não é que não goste das pessoas em causa que, regra geral, até me aquecem mais do que arrefecem, é só porque depois vou parecer... ridícula. E antes parecer uma cold bitch do que ridícula. Prioridades.
Às vezes, tenho um bocadinho de vergonha de ser mulher porque é um género que, tendo tantas qualidades, a maior parte das vezes, não usa a inteligência que deus nosso senhor lhe deu. Os homens não têm destas merdas. Às vezes, gostava de ser homem.