Na quinta-feira fraquejei e deixei que me arrastassem para uma festa da espuma. O sítio, quanto a mim, deixava um bocadinho a desejar, mas um «Deixa-te de merdas, não há nada melhor para fazer e nem é caro. Anda mas'é.» convenceu-me. Argumentos fortes têm este efeito em mim. Entramos e rapidamente me farto de tanta espuma a tresandar ao detergente, à agua gelada, à quantidade de pessoas encostadas a nós, a mexer-nos muito subtilmente em tudo quanto é sítio, tudo muito assim a atirar para um filme pornográfico de má qualidade.
Pois que havia o típico grupinho de barraqueiras a dançar como se estivessem num videoclip do 50 Cent, a atirar com os rabos contra tudo o que fosse do sexo masculino e a tentar aniquilar o género oposto. That's fine to me. Ora, estava eu e os meus compinchas encostadinhos a um canto e tentar mexer o esqueleto, sendo que, adenda importante, aqui a desgraçada é que estava do lado delas. Empurra-não empurra, «Bom, daqui a pouco estamos a dançar dentro da canalização.» e uma das moças solta um «Já 'tázábusar, não oh?». Tudo muito cabelo amarelo com as raizes pretas, tudo muito piercing, tudo muito anel de ouro, tudo muito ténis da Naike, um regalo para os olhos. Uma pessoa fica sem saber o que dizer (aliás, sabe-se, mas também se sabe que, a seguir, já não tem metade do cabelo) e fica-se por um amigável «Oh minha amiga...». Pronto, virou louca. Baixou nela um espírito maligno e toca a «O quê? Mas tu 'tás a gozar c'a minha cara? Vens p'ráqui armada em fina, nem sabes onde te meto!» E começa a subir para cima de nós. Pois é... E que temos a mania, e que chama os manos e nos mete a todos a comer por uma palhinha. Ora, eu, que nunca andei ao estalo com uma rapariga, fico sem saber o que dizer, o que fazer, fico nervosa, pois com certeza. E toda a gente sabe que, quando fico nervosa, dá-me para sorrir estupidamente e dizer coisas sem grande nexo. Especialmente quando digo à C. que já fomos, vamos levar na boca e ela diz pelo canto da boca «Tens que dar o primeiro murro, não deixes que seja ela. Dá com a mão fechada, senão magoas-te.». Como é lógico, esmerdei-me a rir por lhe ter passado pela cabeça que eu ia, DE FACTO, andar à batatada. Claro que isto irritou ainda mais a Jéssica (claaaaaro, não é?) e vá de ameaçar mais um bocadinho. Por esta altura, já está a discoteca toda de olhos postos nos seis desgraçados de Lisboa que vão levar nos cornos do bando lá da terra. Acho que até vi telemóveis voltados para nós e já estive mais longe de ir procurar vídeos no Youtube. Entre muita ameaça, muito «Vá, nós vamo-nos embora, ela estava a brincar, bazem daqui que não vou bater em miúdas.», nós pusemo-nos a andar com a rapariga a dizer «Diz'ai à tua amiga que se ela se mete com mais piadinhas, 'tá feita!». Ala que se faz tarde e fomos para outro sítio. Os comentários não se fizeram esperar, não é? «Oh Leonor, tu eras capaz de lhe dar uma malha.» «Foda-se por que é que não foste lá? Já podia riscar uma fantasia minha.» «O meu pai sempre me disse para eu dar o primeiro murro. E com a mão fechada.»
Acho que fui a única a quem nunca passou pela cabeça, durante todo o episódio, chegar a vias de facto com a miúda. Tenho que me começar a dar com outras pessoas.