quarta-feira, 28 de julho de 2010

E um bocadinho de compreensão, não?!

Eu, às vezes, desconfio que as pessoas que estão comigo, por uma ou outra razão, ficam envergonhadas de estar na minha presença. Hoje tive a certeza disso.
Estava eu e mais dois excelsos (filhos da puta) amigos numa esplanada hoje aqui nas praias da minha zona, quando me comecei a baldar para o lado de lá por causa do calor. É que este calor, parecendo que não, tem capacidade de deixar uma pessoa completamente letárgica a babar-se pelo canto esquerdo da boca. E foi quando eu me lembrei que tinha um leque na mala. Um leque que não me envergonha do belo que é. Um bonito leque que também não deve ter amigos leques que se envergonhem dele. Até porque tem uns desenhos bastante apresentáveis assim em flor. Mais! Nem uma ponta desfiada se lhe avista. Mas estava a dizer, saco do leque e toca de o abanar vigorosamente e ai-que-bem-que-agora-sim-estou-no-paraíso. Nesta altura, olho para as duas aventesmas que estão estarrecidas vidradas em mim como se lhes tivesse revelado que nasci homem e que participo ocasional e muito badalhocamente em sessões de swing. Rapidamente, voltam ao normal e começam a falar um com o outro. Qualquer coisa como «Hoje está um bonito dia, não está?»  «Upa upa e diz que hoje é quarta-feira, veja lá que eu andava convicto que já era sexta.». Eu, astuta que só eu, percebo que algo se passa. E diz-me o T. assim em sussuro «Podes guardar isso, se faz favor?». Ao que eu respondo «Então porquê? Só eu é que sinto o calor?»
E empreenderam num discurso sobre o facto de niiiinguém nascido depois de 1950 usar leques, ainda por cima tem flores, foda-se-que-essa-merda-deve-cheirar-a-mofo e ainda um bonito caralho-está-toda-a-gente-a-olhar-para-nós, mas tudo disfarçado com um «Sim, sim está tudo muito bom, obrigadinho» quando passava um empregado de mesa. Isto tudo porque eu, hoje e só hoje, decidi que não fazia questão de evaporar. E eu penso «Então mas tu queres ver que estes cabrões estão com vergonha de ti?». Eles confirmaram que sim, se soubessem não te tinham trazido à rua, Leonor? Confirmaram, sim.
Pronto, é esta a experiência da minha vida que hoje partilho.