Hoje debruço-me sobre a falta de percepção da Língua Portuguesa de que algumas cabeleireiras do nosso país sofrem. Nem estou a falar do típico «São dois dedinhos, amiga.» e saímos de lá com um Bob. Nem vamos por aí. Vamos para os exageros. Eu reconheço que ir ao cabeleireiro me é particularmente penoso, é verdade. Está ela por ela com o estudo. Desenvolvo variadas reacções físicas perante tal acontecimento. Sim, mas também sei reconhecer quando está tudo maluco e lhes dá para inovar! Caralho, façam lá esses penteados de sonho a outras que os aguentem, que cá destes lado nunca hão-de sentir mais liberdade que um «Ok, pode cortar pontas estragadas (e são só as estragadas, minha puta) ao desbarato».
«Então e franjinha? Ai que ficava tão bem com uma franjinha, que anda sempre com o cabelo nos olhos e que bonitos que são. E fazia-lhe a carinha menos redonda.» Eu acredito que este pseudo-ataque psicológico possa surtir efeito nalgumas clientes, mas, minha amiga, para estes lados escusa de vender o peixe. A sério, já dei por mim a dizer que sim a ideias loucas só porque ela pedincha, pedincha e faz aquele olhar de cão abandonado e eu, que imagino o tédio que deve ser a vida dela só a cortar pontas, só a cortar pontas, lá a deixo fazer umas brincadeiras. Isto está tudo ao contrário! Não sou eu que lhe pago para ela me fazer as vontades?! E que feliz que ela fica. E eu fiz uma boa acção.
Agora, quando começa a fazer parte do vocabulário dela palavras como «farripas» (oooii?!), «pontas voltadas para fora» (... ok, onde é que está a câmara?) e «risco em zig-zag» (caralho, é agora que a faço engolir o secador), temos o caldo entornado, pois com certeza que temos. Não se lhes pode dar uma mão, querem logo o braço! O arzinho da Farrah Fawcett era giro que só ele, mas por alguma coisa é a imagem de marca dos anos 80, certo? Doesn't ring a bell? Vai lá fazer farripas p'ó raio que t'a parta!