Hoje estou para os «Detesto». Qualquer dia, lembro-me dos «Adoro». Detesto, odeio, abomino discutir. Fujo a sete pés de toda e qualquer forma de gritos, humilhações, atiranços-à-cara, grosserias e afins. Mas se tiver que ser, é.
Se há coisa de que me orgulho é de saber discutir. E o que é isso de saber discutir? É tão somente ser inteligente. A sério, não é mania, é mesmo só isto. Não é não gritar, não é não dizer palavrões, é simplesmente ser cordial (mesmo que o cabrão que nos perdeu o Ipod diga que fomos nós que não tivemos cuidado), não ir buscar coisas do passado que nada têm a ver com o assunto («Aaaaah e aquela vez, quando tínhamos 4 anos, que me empurraste para a piscina e eu ia morrendo? Lembras-te? Disso já não te lembras tu, não é, minha grande vaca?», não, não é bonito.) e não insultar a outra pessoa por coisas que a) lhe fogem ao controlo; b) nos contou em confidência, num momento de fraqueza, e está esquecido e enterrado; c) sabemos terem causado imensa dor/desconforto/embaraço/humilhação. Acima de tudo, é não nos esquecermos que, se nos estamos a dar ao trabalho de discutir com a pessoa, é porque gostamos dela e não a queremos magoar.
Fora isto, vale tudo. Até empurrões. E estalos. Puxar os cabelos é que não. Aí, passamos para um patamar de que só muito dificilmente conseguimos sair. Eu chamo-lhe, aleatória e despropositadamente, cantinho da Buraca.