
Eu nunca fui de me insinuar, não havia necessidade. Mas quando ele põe aquele ar de superior, quando me dá luta, quando é diferente, quando não tira a máscara, volto a ver-me outra vez com 12 anos quando olhava para os do 9º ano. Nunca me tinha dado conta das minhas tendências masoquistas. Fala comigo como se não estivesse o dia todo à espera disso, como se não tivesse medo de errar. Não sei se tem ou se isso é uma cena exclusivamente minha.
«Olhá postura, Leonor!», digo-me eu vezes sem conta. De agora em diante vou ser como ele. Comigo resulta. Comigo põe-me literalmente maluca. Não sei lidar com isto. Com ele também há-de resultar. (Sabes, não fazia mal, de vez em quando, deixares de ser tão tu. Não fazia mal baixares a guarda e falares comigo como eu sei que queres falar, acerca do que eu sei que queres falar. Tanta altivez rapidamentecomeça a parecer indiferença.)
Era bem mais fácil gostar dos que só elogiam, dos que só dizem coisas bonitas. A merda é que estes raramente sabem falar de mais alguma coisa além deles, de nós e do futuro lindo que vamos ter juntos. Eu, por enquanto, quero os do outro tipo. O (do) outro tipo.